sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012


 Soberania


Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo

do vento escorregava muito e eu não consegui

pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso

carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos

deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado

e disse que eu tivera um vareio da imaginação.

Mas que esses vareios acabariam com os estudos.

E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li

alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.

E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria

das idéias e da razão pura. Especulei filósofos

e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande

saber. Achei que os eruditos nas suas altas

abstrações se esqueciam das coisas simples da

terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo

— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:

A imaginação é mais importante do que o saber.

Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei

um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu

olho começou a ver de novo as pobres coisas do

chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E

meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam

o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no

corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas

podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as

próprias asas. E vi que o homem não tem soberania

nem pra ser um bentevi.


Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas ( Manoel de Barros)


Obra surrealista de Joan Miró e poema de Manoel de Barros


Adoro!

domingo, 4 de setembro de 2011

Canção de Outono




















Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores pelas areias do chão,
se havia gente dormindo sobre o própro coração?
E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles que não se levantarão...
Tu és a folha de outono voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...


Linda canção de Cecília Meireles

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Qualquer Canção

Qualquer canção de amor
É uma canção de amor
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor e antes
Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado
Porém ainda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer calado.
Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama
E essa canção também
Corrói, como convém,
O coração de quem não ama.


Chico Buarque

terça-feira, 21 de junho de 2011

Simplesmente Aline

Simplesmente Aline, essa é uma pessoa muito especial para nós! Seremos sempre três.
Seu jeito de puxar as pessoas para a realidade, uma menina cheia de sonhos, um futuro grande pela frente, com seu jeito inocente de ser.
Parabéns Amiga, sei que são 12:29 minutos agora, mas te faço essa pequena homenagem para te de dizer que te adoro muito e estarei sempre ao seu lado quando precisar, e quando não precisar.
Que Deus abençoe o grande futuro que estás esperando, será dias de muita alegria e único na sua vida.




Feliz Aniversário.........................



Um poema de uma das escritoras que você mais gosta para você


Se você quiser me contar seus segredos
Sou de todo ouvido.
Se os seus sonhos não derem certo,
Estarei sempre lá para você.
Se precisar se esconder,
Terá sempre minha mão.
Mesmo se o céu desabar,
Estarei sempre contigo.
Sempre que precisar de um lugar,
Haverá meu canto, pode ficar.
Se alguém quebrar seu coração.
Juntos cuidaremos.
Quando sentir um vazio,
Você não estará sozinha.
Se você se perder lá fora,
Te buscarei.
Te levarei prá algum lugar
Se precisar pensar.
E quando tudo parecer estar perdido,
E você precisar de alguém
Eu estarei sempre aqui.


Martha Medeiros

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Emily Jane Bronte

No silêncio, um ou outro estalido de lenha queimando na lareira e o ruído incessante das agulhas de tricô. Emily ergue os olhos da costura, passeia-os pelas roupas não remendadas e observa o perfil de Charlotte, pequena e míope. Tricotando. Desvia o olhar para Anne, calada, imersa na tarefa de pregar botões. Não são 4 horas da tarde, mas o céu está escuro. A noite desce cedo em Haworth.Para as três, contudo a escuridão não impede o trabalho.

Quando chegaram a Haworth, em 1820, eram oito ao todo, Emliy tinha apenas dois anos e não compreendia bem por que o pai decidira mudar-se para um lugar tão solitário, batido pelos ventos uivantes. A partir da mudança a família começou a diminuir, primeiro morreu a mãe na terrível agonia do câncer. Emily ainda guarda nos ouvidos os ecos de seus gritos, embora o pai houvesse escrito que a esposa havia morrido calmamente “com uma sagrada e humildade confiança em cristo, seu salvador, e no céu, sua morada eterna”.



Tia Branwell fora morar com eles. Para as crianças, a falta da mãe somou a dor de verem sua liberdade diminuída.

Um dia o pai viajará para Leeds e retornara trazendo um presente para Brawell. As crianças se aglomeraram em volta da caixa de madeira, respiração suspensa , a espera do conteúdo.Brawell então levantou a tampa e foi tirando um por um, doze soldadinhos de chumbo. Charlotte, por ser a mais velha , escolheu o primeiro que lhe pareceu mais bonito e o batizou “Duque de Wellington” Depois Emily tomou o soldadinho que julgou mais parecido com ela mesma - tristonho e sério -,e deu- lhe o nome de “Gravey”. Anne escolheu por último – o “mensageiro”.

Inventaram epopéias, tramaram enredos e , um dia, resolveram escrevê-los. Brawell sugeriu que registrassem as histórias em forma de jornal. Emily e Anne sentia-se rejeitadas porque os irmãos não aceitavam nenhuma de suas sugestões. Alguns anos mais tarde , Charlotte entrou para o colégio em Roe Head. Brawell começou a beber no touro negro e os escritos de “Angria” foram esquecidos. Emily, a essa altura, já se voltara para dentro de si, disfarçando com uma mascará de indiferença as emoções que a sacudiam. Achava impossível estabelecer uma comunicação tão perfeita que as dores de uma pessoa chegasse a se dividir com outra, e assim minorassem:” se podes, por um instante lamentar o que lhe aflige, não podes partilhar da minha infinita magoa”.........




Emily Jane Bronte

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin ......





















“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.(Ministro da Educação Fernando Haddad).

Recebi essa mensagem no Facebook e resolvi postar, ela diz realmente o que muitos metidos a intelectuais fazem, criticar sem ler, querer falar de um assunto sem ter propriedade, criticar o que não conhece.
Vamos ler primeiro para poder criticar, de fascista a UFAC está cheia se querem conhecê-los apareçam por lar um bando de pseudo- intelectuais fascistas.


Niezsche fala muito bem sobre isso:

"Quem sabe que é profundo busca a clareza. Quem deseja parecer profundo para a multidão procura ser obscuro porque a multidão toma por profundo aquilo cujo o fundo não vê, ela é medrosa... exita em entrar na água" (Friedrich Niezsche).

sábado, 28 de maio de 2011

A Bailarina e o Soldado de Chumbo


















De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
Tô sobrando num sobrado sem ventilador
Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?
Coração, que ainda vem me perguntar o que aconteceu
Conta se seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu
Com duas conchas nas mãos,
Vem vestida de ouro e poeira
Falando de um jeito maneira
Da lua, da estrela e de um certo mal
Que agora acompanha teu dia
E pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço,
Recanto e despeço da magia que balança o mundo
Bailarina, soldado de chumbo
Bailarina, soldado de chumbo
Beijo e dor...


Bailarina, soldado de chumbo
Nossa casinha pequena
Parece vazia sem o teu balé
Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé
Nossa casinha vazia
Parece pequena sem o teu balé

Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé




Música do grupo O Teatro Mágivo

sábado, 7 de maio de 2011

O Rouxinol e a Rosa

Ela disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse rosas vermelhas", exclamou o jovem Estudante, "mas em todo o meu jardim não há nenhuma rosa vermelha."
Do seu ninho no alto da azinheira, o Rouxinol o ouviu, e olhou por entre as folhas, e ficou a pensar.

"Não há nenhuma rosa vermelha em todo o meu jardim!", exclamou ele, e seus lindos olhos encheram-se de lágrimas. "Ah, nossa felicidade depende de coisas tão pequenas! Já li tudo que escreveram os sábios, conheço todos os segredos da filosofia, e no entanto por falta de uma rosa vermelha minha vida infeliz."

"Finalmente, eis um que ama de verdade", disse o Rouxinol. "Noite após noite eu o tenho cantado, muito embora não o conhecesse: noite após noite tenho contado sua história para as estrelas, e eis que agora o vejo. Seus cabelos são escuros como a flor do jacinto, e seus lábios são vermelhos como a rosaI de se desejo; porém a paixão transformou-lhe o rosto em marfim pálido, e a cravou-lhe na fronte sua marca."

"Amanhã haverá um baile no palácio do príncipe", murmurou o jovem Estudante, "e minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe trouxer uma rosa vermelha, ela há de dançar comigo até o dia raiar. Se lhe trouxer uma rosa vermelha, eu a terei nos meus braços, e ela deitará a cabeça no meu ombro, e sua mão ficará apertada na minha. Porém não há nenhuma rosa vermelha no meu jardim, e por isso ficarei sozinho, e ela passará por mim sem me olhar. Não me dará nenhuma atenção, e meu coração será destroçado."

"Sim, ele ama de verdade", disse o Rouxinol. "Aquilo que eu canto, ele sofre; o que para mim é júbilo, para ele é sofrimento. Sem dúvida, o Amor é uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que as esmeraldas, mais caro do que as opalas finas. Nem pérolas nem romãs podem comprá-lo, nem é coisa que se encontre à venda no mercado. Não é possível comprá-lo de comerciante, nem pesá-lo numa balança em troca de ouro".
"Os músicos no balcão", disse o jovem Estudante, "tocarão seus instrumentos de corda, e meu amor dançará ao som da harpa e do violino. Dançará com pés tão leves que nem sequer hão de tocar no chão, e os cortesãos, com seus trajes coloridos, vão cercá-la. Porém comigo ela não dançará, porque não tenho nenhuma rosa vermelha para lhe dar." E jogou-se na grama, cobriu o rosto com as mãos e chorou. 
"Por que chora ele?", indagou um pequeno Lagarto Verde, ao passar correndo com a cauda levantada.
"Sim, por quê?", perguntou uma Borboleta, que esvoaçava em torno de um raio de sol.
"Sim, por quê?", sussurrou uma Margarida, virando-se para sua vizinha, com uma voz suave.
"Ele chora por uma rosa vermelha", disse o Rouxinol.

"Uma rosa vermelha?", exclamaram todos. "Mas que ridículo!" E o pequeno Lagarto, que era um tanto cínico, riu à grande.

Porém o Rouxinol compreendia o segredo da dor do Estudante, e calou-se no alto da azinheira, pensando no mistério do Amor.

De repente ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o arvoredo como uma sombra, e como uma sombra cruzou o jardim.

No centro do gramado havia uma linda Roseira, e quando a viu o Rouxinol foi até ela, pousando num ramo.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti".

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são brancas", respondeu ela, "tão brancas quanto a espuma do mar, e mais brancas que a neve das montanhas. Porém procura minha irmã que cresce junto ao velho relógio de sol, e talvez ela possa te dar o que queres."
Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto ao velho relógio de sol.
"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."
Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são amarelas", respondeu ela, "amarelas como os cabelos da sereia que está sentada num trono de âmbar, e mais amarelas que o narciso que floresce no prado quando o ceifeiro ainda não veio com sua foice. Porém procura minha irmã que cresce junto à janela do Estudante, e talvez ela possa te dar o que queres."

Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto à janela do Estudante.
"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."
Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são vermelhas", respondeu ela, "vermelhas como os pés da pomba, e mais vermelhas que os grandes leques de coral que ficam a abanar na caverna no fundo do oceano. Porém o inverno congelou minhas veias, e o frio queimou meus brotos, e a tempestade quebrou meus galhos, e não darei nenhuma rosa este ano. "
"Uma única rosa vermelha é tudo que quero", exclamou o Rouxinol, só uma rosa vermelha! Não há nenhuma maneira de consegui-la?"

"Existe uma maneira", respondeu a Roseira, "mas é tão terrível que não ouso te contar."

"Conta-me", disse o Rouxinol. "Não tenho medo."

"Se queres uma rosa vermelha", disse a Roseira, "tens de criá-la com tua música ao luar, e tingi-Ia com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim apertando o peito contra um espinho. A noite inteira tens de cantar para mim, até que o espinho perfure teu coração e teu sangue penetre em minhas veias, e se torne meu."

"A Morte é um preço alto a pagar por uma rosa vermelha", exclamou o Rouxinol, "e todos dão muito valor à Vida. É agradável, no bosque verdejante, ver o Sol em sua carruagem de ouro, e a Lua em sua carruagem de madrepérola. Doce é o perfume do piluriteiro, e as belas são as campânulas que se escondem no vale, e as urzes que florescem no morro. Porém o Amor é melhor que a Vida, e o que é o coração de um pássaro comparado com o coração de um homem?"

Assim, ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o jardim como uma sombra, e como uma sombra voou pelo arvoredo.

O jovem Estudante continuava deitado na grama, onde o Rouxinol o havia deixado, e as lágrimas ainda não haviam secado em seus belos olhos.
"Regozija-te", exclamou o Rouxinol, "regozija-te; terás tua rosa vermelha. Vou criá-la com minha música ao luar, e tingi-la com o sangue do meu coração. Tudo que te peço em troca é que ames de verdade, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia, por mais sábia que ela seja, e mais poderoso que o Poder, por mais poderoso que ele seja. Suas asas são da cor do fogo, e tem a cor do fogo seu corpo. Seus lábios são doces como o mel, e seu hálito é como o incenso.
O Estudante levantou os olhos e ficou a escutá-lo, porém não compreendia o que lhe dizia o Rouxinol, pois só conhecia as coisas que estão escritas nos livros.

Mas o Carvalho compreendeu, e entristeceu-se, pois ele gostava muito do pequeno Rouxinol que havia construído um ninho em seus galhos.
"Canta uma última canção para mim", sussurrou ele; "vou sentir-me muito solitário depois que tu partires."
Assim, o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz era como água jorrando de uma jarra de prata.

Quando o Rouxinol terminou sua canção, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderno e um lápis.

"Forma ele tem", disse ele a si próprio, enquanto se afastava, caminhando pelo arvoredo, "isso não se pode negar; mas terá sentimentos? Temo que não. Na verdade, ele é como a maioria dos artistas; só estilo, nenhuma sinceridade. Não seria capaz de sacrificar-se pelos outros. Pensa só na música, e todos sabem que as artes são egoístas. Mesmo assim, devo admitir que há algumas notas belas em sua voz. Pena que nada signifiquem, nem façam nada de bom na prática." E foi para seu quarto, deitou-se em sua pequena enxerga e começou a pensar em seu amor; depois de algum tempo, adormeceu.

E quando a Lua brilhava nos céus, o Rouxinol voou até a Roseira e cravou o peito no espinho. A noite inteira ele cantou apertando o peito contra o espinho, e a Lua, fria e cristalina, inclinou-se para ouvir. A noite inteira ele cantou, e o espinho foi se cravando cada vez mais fundo em seu peito, e o sangue foi-lhe escapando das veias.

Cantou primeiro o nascimento do amor no coração de um rapaz e de uma moça. E no ramo mais alto da Roseira abriu-se uma rosa maravilhosa, pétala após pétala, à medida que canção seguia canção. Pálida era, de início, como a névoa que paira sobre o rio - pálida como os pés da manhã, e prateada como as asas da alvorada. Como a sombra de uma rosa num espelho de prata, como a sombra de uma rosa numa poça d' água, tal era a rosa que floresceu no ramo mais alto da Roseira.

Porém a Roseira disse ao Rouxinol que se apertasse com mais força contra o espinho. Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e seu canto soou mais alto, pois ele cantava o nascimento da paixão na alma de um homem e uma mulher.
E um toque róseo delicado surgiu nas folhas da rosa, tal como o rubor nas faces do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Porém o espinho ainda não havia penetrado até seu coração, e assim o coração da rosa permanecia branco, pois só o coração do sangue de um Rouxinol pode tingir de vermelho o coração de uma rosa.

E a Roseira insistia para que o Rouxinol se apertasse com mais força contra o espinho. "Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e uma feroz pontada de dor atravessou-lhe o corpo. Terrível, terrível era a dor, e mais e mais tremendo era seu canto, pois ele cantava o Amor que é levado à perfeição pela Morte, o Amor que não morre no túmulo.
E a rosa maravilhosa ficou rubra, como a rosa do céu ao alvorecer. Rubra era sua grinalda de pétalas, e rubro como um rubi era seu coração.

Porém a voz do Rouxinol ficava cada vez mais fraca, e suas pequenas asas começaram a se bater, e seus olhos se embaçaram. Mais e mais fraca era sua canção, e ele sentiu algo a lhe sufocar a garganta.

Então desprendeu-se dele uma derradeira explosão de música. A Lua alva a ouviu, e esqueceu-se do amanhecer, e permaneceu no céu. A rosa rubra a ouviu, e estremeceu de êxtase, e abriu suas pétalas para o ar frio da manhã. O Eco vou-a para sua caverna púrpura nas montanhas, e despertou de seus sonhos os pastores adormecidos. A música flutuou por entre os juncos do rio, e eles levaram sua mensagem até o mar.
"Olha, olha!", exclamou a Roseira, "a rosa está pronta." Porém o Rouxinol não deu resposta, pois jazia morto na grama alta, com o espinho cravado no coração.

E ao meio-dia o Estudante abriu a janela e olhou para fora.

"Ora, mas que sorte extraordinária!", exclamou. "Eis aqui uma rosa vermelha! Nunca vi uma rosa semelhante em toda minha vida. É tão bela que deve ter um nome comprido em latim." E, abaixando-se, colheu-a.
Em seguida, pôs o chapéu e correu até a casa do Professor com a rosa na mão.

A filha do Professor estava sentada à porta, enrolando seda azul num carretel, e seu cãozinho estava deitado a seus pés.

"Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha", disse o Estudante. "Eis aqui a rosa mais vermelha de todo o mundo. Tu a usarás junto ao teu coração, e quando dançarmos ela te dirá quanto te amo."
Porém a moça franziu a testa.

"Creio que não vai combinar com meu vestido", respondeu ela; "e, além disso, o sobrinho do Tesoureiro enviou-me jóias de verdade, e todo mundo sabe que as jóias custam muito mais do que as flores."

"Ora, mas és mesmo uma ingrata", disse o Estudante, zangado, e jogou a rosa na rua; a flor caiu na sarjeta, e uma carroça passou por cima dela.

"Ingrata!", exclamou a moça. "Tu é que és muito mal-educado; e quem és tu? Apenas um Estudante. Ora, creio que não tens sequer fivelas de prata em teus sapatos, como tem o sobrinho do Tesoureiro." E, levantando-se, entrou em casa.

"Que coisa mais tola é o Amor!", disse o Estudante enquanto se afastava. "É bem menos útil que a Lógica, pois nada prova, e fica o tempo todo a nos dizer coisas que não vão acontecer, e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdade. No final das contas, é algo muito pouco prático, e como em nossos tempos ser prático é tudo, vou retomar a Filosofia e estudar Metafísica."

Assim, voltou para seu quarto, pegou um livro grande e poeirento, e começou a ler.



Oscar Wilde

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Educação para que?


















Existe imagem mais linda do que essa?

Educação para que?

Já estou cansada desse faz de conta que o MEC aponta como crescimento da média escolar no Brasil. Já estou cansada desses professores chegarem à sala de aula em um curso crítico e falar que um professor na sala de aula deve ser um verdadeiro filósofo, questionar a realidade,transformar a sua realidade, desenvolver práticas pedagógicas para que você seja um real transformador. Muito linda as teorias, nos dá até ânimo para ser futuro professor. Agora vamos enxergar a realidade? Como pode um professor te mostrar lindas teorias para ser um professor transformador em sala de aula e logo depois pede para você fazer um trabalhinho escrito sobre um texto? Passa provas pesquisadas? Não te dá o direito de falar em sala de aula? Impõe seus pensamentos? Logo estão formando o que?

Todos sabem que a LDB é para formar mão de obra, reproduzir conhecimento, formar futuros trabalhadores para desenvolver o capitalismo e acentuar mais ainda os antagonismos de classe. Pra que produzir conhecimento? Transformar trabalhadores em críticos para futuramente irem contra o sistema vigente e reivindicar seus direitos? Não interessa para o país um professor critico e transformador. O verdadeiro professor para o Estado é aquele que aprova todos os seus alunos sem saber se ele aprendeu ou não que apenas cumpra seu dever, passar para frente e no futuro ele que se vire. Vai ser mão de obra barata, mais lucro para empresas.

O governo está investindo muito na educação:

Quanto você acha que custa um notebook? É caro minha gente, melhor dá notebook para esses meninos do que atualizar a biblioteca da escola. Viu!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lia um jeito de ser

























Há o que dizer dessa minha amiga!!!!!
Você é uma contradição em pessoa, a rosa que não se encontra em nenhum jardim, uma poesia a ser escrita. Você e a composição de Amor e sofrimento, felicidade e surrealismo.

Você e minha rosa que atravessarei mundos para te fazer feliz, Deus te pós em meu caminho para me ensinar o que é amor e amolecer esse coração duro. Tu és meu exemplo de amor e de amar, você é a única essência pura que conheço que tem um amor verdadeiro pelas pessoas.

Singela homenagem dessa sua amiga neste dia especial para mim, seu aniversário!

Andaremos de bengala e óculos de fundo de garrafa, eu você e Aline para comprarmos sapatos e tomarmos chá verde.



Feliz Aniversário



I LOVE YOU