domingo, 28 de novembro de 2010

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'
















Tese de Mestrado na USP do Psicólogo Fernando Braga da Costa

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim.
 O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado.
 Fui almoçar,ão senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?Eu choro.
 É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito
que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses
homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são
tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.



 ( Recebi no meu e-mail essa matéria e resolvi postar.
 Isso é para mostrar o lixo que o ser humano é).

Traduzir-se





Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?


(Ferreira Gullar)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"CIÚMES"

Tem coisas que a gente não consegue dominar, o ciúme é um deles, tenho ciúmes sim e dai?















A palavra EU TE AMO quando dita, devemos ter o verdadeiro sentimento de amor.

Na amizade também dizemos EU TE AMO quando  temos realmente uma amizade VERDADEIRA.  Na Amizade nós conhecemos a pessoa pela simples troca de olhar, tom de voz, quando discordamos, brigamos e cinco minutos depois estamos dando gargalhadas, quando confidenciamos segredos, quando estamos dormindo e acordamos para atender o telefone e da atenção à amiga que está precisando de apoio, ou seja, tudo aquilo que só quem tem uma VERDADEIRA amizade sabe como é.
Às vezes, temos ciúmes sim, dos amigos, mas não podemos exigir e querer sua atenção só para você, não podemos ser egoísta, toda relação deve ter respeito e confiança.
Quando digo EU TE AMO pode acreditar, é verdadeiro, do meu jeito, mas é VERDADEIRO.
Não devemos brincar com as pessoas, quando dizemos AMIGO devemos ser verdadeiramente amigos, quando dizemos, EU TE AMO, devemos realmente sentir este sentimento de amor.
Devemos tomar cuidado ao expressar a palavra, Eu Te Amo, se dita sem sentimento demonstramos falta de caráter e dissimulação.


Simplesmente estava com vontade de falar, resolvi escrever abobrinhas aqui, mas é verdadeiro.


"Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce." (William Shakespeare)


domingo, 17 de outubro de 2010

Mundo Grande





















Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.

A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante
exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.

Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo
 está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.

– Ó vida futura! Nós te criaremos.


(Carlos Drummond de Andrade)


Que nos diz o poeta?

Que não é na solidão de uma vontade individual que podemos enfrentar livremente o "mundo grande", mas na companhia dos outros que nos trazem a noticia de que o mundo cresce todo dia, isto é, transforma-se incessantemente "entre fogo e amor", entre lutas, guerras, conflitos e busca de paz, entendimento e justiça. Somos livre não contra o mundo mas no mundo.


 (Trexo estraído do livro: Convite à Flosofia de Marilena Chaui)

sábado, 25 de setembro de 2010

O amor no mundo contemporâneo

Na sociedade contemporânea, fala-se e escreve-se muito sobre sexo e quase nada sobre o amor.
Talvez seja pelo fato de que o amor, sendo um enigma não se deixa decifrar, repelindo toda tentativa de classificação ou definição. Por isso, a poesia, campo mítico por excelência, encontra na metáfora a compreensão melhor do amor. efetivamente, a literatura nunca deixou de falar do amor.

Talvez o vazio conceitual se deva à dificuldade de expressão do amor no mundo contemporâneo. O Desenvolvimento dos centros urbanos criou o fenômeno da "multidão solitária": as pessoas estão lado a lado, mas suas relações são de contiguidade, seus contatos dificilmente se aprofundam, sendo raro o encontro verdadeiro.


" Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de se-lô, poque temo que meu ciume machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluido, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum".


Referêcia bibliografica

Arruda, Maria Lúcia; Pires, Maria Helena. Filosofando, introdução a filosofia.



domingo, 19 de setembro de 2010

Animais I (Racionais)

Vamos dar cambalhotas feito palhaços!!!!
Nao é o que Somos?
Bom estar de volta!!!!

Resolvi voltar a postar, apaguei todas as postagens anteriores, quero começar tudo de novo, quase tudo novo ou velho ainda?

Não sei, hoje estou com tédio, não quero resolver os exercícios de filosofia, não quero ler os textos de prática pedagógica, não quero ler nada apenas pensar na vida, no mundo, na hipocrisia humana e na burrice impregnada no ser humano!!!!!!

Queria voltar a dar cambalhotas, ficar de cabeça para baixo com uma companhia e falar besteira! Há tempo bom......

Estou cansada de pessoas burras, alienadas, que olham para seu mundinho e não consegue enxergar os mundos que existe! se fazem de cidadão honesto, decidem o futuro do país e das pessoas como se fossem uma brincadeirinha de dado, posam como defensores do desenvolvimento do país, e não desenvolvem nem sua mente tão pequena, não sabem nem se quer o que é desenvolvimento! Ha Política maldita! Política de vida, política de cidadão, política de convivência, política de sujos!!!