domingo, 4 de setembro de 2011

Canção de Outono




















Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores pelas areias do chão,
se havia gente dormindo sobre o própro coração?
E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles que não se levantarão...
Tu és a folha de outono voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...


Linda canção de Cecília Meireles

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Qualquer Canção

Qualquer canção de amor
É uma canção de amor
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor e antes
Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado
Porém ainda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer calado.
Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama
E essa canção também
Corrói, como convém,
O coração de quem não ama.


Chico Buarque

terça-feira, 21 de junho de 2011

Simplesmente Aline

Simplesmente Aline, essa é uma pessoa muito especial para nós! Seremos sempre três.
Seu jeito de puxar as pessoas para a realidade, uma menina cheia de sonhos, um futuro grande pela frente, com seu jeito inocente de ser.
Parabéns Amiga, sei que são 12:29 minutos agora, mas te faço essa pequena homenagem para te de dizer que te adoro muito e estarei sempre ao seu lado quando precisar, e quando não precisar.
Que Deus abençoe o grande futuro que estás esperando, será dias de muita alegria e único na sua vida.




Feliz Aniversário.........................



Um poema de uma das escritoras que você mais gosta para você


Se você quiser me contar seus segredos
Sou de todo ouvido.
Se os seus sonhos não derem certo,
Estarei sempre lá para você.
Se precisar se esconder,
Terá sempre minha mão.
Mesmo se o céu desabar,
Estarei sempre contigo.
Sempre que precisar de um lugar,
Haverá meu canto, pode ficar.
Se alguém quebrar seu coração.
Juntos cuidaremos.
Quando sentir um vazio,
Você não estará sozinha.
Se você se perder lá fora,
Te buscarei.
Te levarei prá algum lugar
Se precisar pensar.
E quando tudo parecer estar perdido,
E você precisar de alguém
Eu estarei sempre aqui.


Martha Medeiros

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Emily Jane Bronte

No silêncio, um ou outro estalido de lenha queimando na lareira e o ruído incessante das agulhas de tricô. Emily ergue os olhos da costura, passeia-os pelas roupas não remendadas e observa o perfil de Charlotte, pequena e míope. Tricotando. Desvia o olhar para Anne, calada, imersa na tarefa de pregar botões. Não são 4 horas da tarde, mas o céu está escuro. A noite desce cedo em Haworth.Para as três, contudo a escuridão não impede o trabalho.

Quando chegaram a Haworth, em 1820, eram oito ao todo, Emliy tinha apenas dois anos e não compreendia bem por que o pai decidira mudar-se para um lugar tão solitário, batido pelos ventos uivantes. A partir da mudança a família começou a diminuir, primeiro morreu a mãe na terrível agonia do câncer. Emily ainda guarda nos ouvidos os ecos de seus gritos, embora o pai houvesse escrito que a esposa havia morrido calmamente “com uma sagrada e humildade confiança em cristo, seu salvador, e no céu, sua morada eterna”.



Tia Branwell fora morar com eles. Para as crianças, a falta da mãe somou a dor de verem sua liberdade diminuída.

Um dia o pai viajará para Leeds e retornara trazendo um presente para Brawell. As crianças se aglomeraram em volta da caixa de madeira, respiração suspensa , a espera do conteúdo.Brawell então levantou a tampa e foi tirando um por um, doze soldadinhos de chumbo. Charlotte, por ser a mais velha , escolheu o primeiro que lhe pareceu mais bonito e o batizou “Duque de Wellington” Depois Emily tomou o soldadinho que julgou mais parecido com ela mesma - tristonho e sério -,e deu- lhe o nome de “Gravey”. Anne escolheu por último – o “mensageiro”.

Inventaram epopéias, tramaram enredos e , um dia, resolveram escrevê-los. Brawell sugeriu que registrassem as histórias em forma de jornal. Emily e Anne sentia-se rejeitadas porque os irmãos não aceitavam nenhuma de suas sugestões. Alguns anos mais tarde , Charlotte entrou para o colégio em Roe Head. Brawell começou a beber no touro negro e os escritos de “Angria” foram esquecidos. Emily, a essa altura, já se voltara para dentro de si, disfarçando com uma mascará de indiferença as emoções que a sacudiam. Achava impossível estabelecer uma comunicação tão perfeita que as dores de uma pessoa chegasse a se dividir com outra, e assim minorassem:” se podes, por um instante lamentar o que lhe aflige, não podes partilhar da minha infinita magoa”.........




Emily Jane Bronte

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin ......





















“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.(Ministro da Educação Fernando Haddad).

Recebi essa mensagem no Facebook e resolvi postar, ela diz realmente o que muitos metidos a intelectuais fazem, criticar sem ler, querer falar de um assunto sem ter propriedade, criticar o que não conhece.
Vamos ler primeiro para poder criticar, de fascista a UFAC está cheia se querem conhecê-los apareçam por lar um bando de pseudo- intelectuais fascistas.


Niezsche fala muito bem sobre isso:

"Quem sabe que é profundo busca a clareza. Quem deseja parecer profundo para a multidão procura ser obscuro porque a multidão toma por profundo aquilo cujo o fundo não vê, ela é medrosa... exita em entrar na água" (Friedrich Niezsche).

sábado, 28 de maio de 2011

A Bailarina e o Soldado de Chumbo


















De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
Tô sobrando num sobrado sem ventilador
Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?
Coração, que ainda vem me perguntar o que aconteceu
Conta se seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu
Com duas conchas nas mãos,
Vem vestida de ouro e poeira
Falando de um jeito maneira
Da lua, da estrela e de um certo mal
Que agora acompanha teu dia
E pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço,
Recanto e despeço da magia que balança o mundo
Bailarina, soldado de chumbo
Bailarina, soldado de chumbo
Beijo e dor...


Bailarina, soldado de chumbo
Nossa casinha pequena
Parece vazia sem o teu balé
Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé
Nossa casinha vazia
Parece pequena sem o teu balé

Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé




Música do grupo O Teatro Mágivo

sábado, 7 de maio de 2011

O Rouxinol e a Rosa

Ela disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse rosas vermelhas", exclamou o jovem Estudante, "mas em todo o meu jardim não há nenhuma rosa vermelha."
Do seu ninho no alto da azinheira, o Rouxinol o ouviu, e olhou por entre as folhas, e ficou a pensar.

"Não há nenhuma rosa vermelha em todo o meu jardim!", exclamou ele, e seus lindos olhos encheram-se de lágrimas. "Ah, nossa felicidade depende de coisas tão pequenas! Já li tudo que escreveram os sábios, conheço todos os segredos da filosofia, e no entanto por falta de uma rosa vermelha minha vida infeliz."

"Finalmente, eis um que ama de verdade", disse o Rouxinol. "Noite após noite eu o tenho cantado, muito embora não o conhecesse: noite após noite tenho contado sua história para as estrelas, e eis que agora o vejo. Seus cabelos são escuros como a flor do jacinto, e seus lábios são vermelhos como a rosaI de se desejo; porém a paixão transformou-lhe o rosto em marfim pálido, e a cravou-lhe na fronte sua marca."

"Amanhã haverá um baile no palácio do príncipe", murmurou o jovem Estudante, "e minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe trouxer uma rosa vermelha, ela há de dançar comigo até o dia raiar. Se lhe trouxer uma rosa vermelha, eu a terei nos meus braços, e ela deitará a cabeça no meu ombro, e sua mão ficará apertada na minha. Porém não há nenhuma rosa vermelha no meu jardim, e por isso ficarei sozinho, e ela passará por mim sem me olhar. Não me dará nenhuma atenção, e meu coração será destroçado."

"Sim, ele ama de verdade", disse o Rouxinol. "Aquilo que eu canto, ele sofre; o que para mim é júbilo, para ele é sofrimento. Sem dúvida, o Amor é uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que as esmeraldas, mais caro do que as opalas finas. Nem pérolas nem romãs podem comprá-lo, nem é coisa que se encontre à venda no mercado. Não é possível comprá-lo de comerciante, nem pesá-lo numa balança em troca de ouro".
"Os músicos no balcão", disse o jovem Estudante, "tocarão seus instrumentos de corda, e meu amor dançará ao som da harpa e do violino. Dançará com pés tão leves que nem sequer hão de tocar no chão, e os cortesãos, com seus trajes coloridos, vão cercá-la. Porém comigo ela não dançará, porque não tenho nenhuma rosa vermelha para lhe dar." E jogou-se na grama, cobriu o rosto com as mãos e chorou. 
"Por que chora ele?", indagou um pequeno Lagarto Verde, ao passar correndo com a cauda levantada.
"Sim, por quê?", perguntou uma Borboleta, que esvoaçava em torno de um raio de sol.
"Sim, por quê?", sussurrou uma Margarida, virando-se para sua vizinha, com uma voz suave.
"Ele chora por uma rosa vermelha", disse o Rouxinol.

"Uma rosa vermelha?", exclamaram todos. "Mas que ridículo!" E o pequeno Lagarto, que era um tanto cínico, riu à grande.

Porém o Rouxinol compreendia o segredo da dor do Estudante, e calou-se no alto da azinheira, pensando no mistério do Amor.

De repente ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o arvoredo como uma sombra, e como uma sombra cruzou o jardim.

No centro do gramado havia uma linda Roseira, e quando a viu o Rouxinol foi até ela, pousando num ramo.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti".

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são brancas", respondeu ela, "tão brancas quanto a espuma do mar, e mais brancas que a neve das montanhas. Porém procura minha irmã que cresce junto ao velho relógio de sol, e talvez ela possa te dar o que queres."
Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto ao velho relógio de sol.
"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."
Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são amarelas", respondeu ela, "amarelas como os cabelos da sereia que está sentada num trono de âmbar, e mais amarelas que o narciso que floresce no prado quando o ceifeiro ainda não veio com sua foice. Porém procura minha irmã que cresce junto à janela do Estudante, e talvez ela possa te dar o que queres."

Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto à janela do Estudante.
"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."
Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são vermelhas", respondeu ela, "vermelhas como os pés da pomba, e mais vermelhas que os grandes leques de coral que ficam a abanar na caverna no fundo do oceano. Porém o inverno congelou minhas veias, e o frio queimou meus brotos, e a tempestade quebrou meus galhos, e não darei nenhuma rosa este ano. "
"Uma única rosa vermelha é tudo que quero", exclamou o Rouxinol, só uma rosa vermelha! Não há nenhuma maneira de consegui-la?"

"Existe uma maneira", respondeu a Roseira, "mas é tão terrível que não ouso te contar."

"Conta-me", disse o Rouxinol. "Não tenho medo."

"Se queres uma rosa vermelha", disse a Roseira, "tens de criá-la com tua música ao luar, e tingi-Ia com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim apertando o peito contra um espinho. A noite inteira tens de cantar para mim, até que o espinho perfure teu coração e teu sangue penetre em minhas veias, e se torne meu."

"A Morte é um preço alto a pagar por uma rosa vermelha", exclamou o Rouxinol, "e todos dão muito valor à Vida. É agradável, no bosque verdejante, ver o Sol em sua carruagem de ouro, e a Lua em sua carruagem de madrepérola. Doce é o perfume do piluriteiro, e as belas são as campânulas que se escondem no vale, e as urzes que florescem no morro. Porém o Amor é melhor que a Vida, e o que é o coração de um pássaro comparado com o coração de um homem?"

Assim, ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o jardim como uma sombra, e como uma sombra voou pelo arvoredo.

O jovem Estudante continuava deitado na grama, onde o Rouxinol o havia deixado, e as lágrimas ainda não haviam secado em seus belos olhos.
"Regozija-te", exclamou o Rouxinol, "regozija-te; terás tua rosa vermelha. Vou criá-la com minha música ao luar, e tingi-la com o sangue do meu coração. Tudo que te peço em troca é que ames de verdade, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia, por mais sábia que ela seja, e mais poderoso que o Poder, por mais poderoso que ele seja. Suas asas são da cor do fogo, e tem a cor do fogo seu corpo. Seus lábios são doces como o mel, e seu hálito é como o incenso.
O Estudante levantou os olhos e ficou a escutá-lo, porém não compreendia o que lhe dizia o Rouxinol, pois só conhecia as coisas que estão escritas nos livros.

Mas o Carvalho compreendeu, e entristeceu-se, pois ele gostava muito do pequeno Rouxinol que havia construído um ninho em seus galhos.
"Canta uma última canção para mim", sussurrou ele; "vou sentir-me muito solitário depois que tu partires."
Assim, o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz era como água jorrando de uma jarra de prata.

Quando o Rouxinol terminou sua canção, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderno e um lápis.

"Forma ele tem", disse ele a si próprio, enquanto se afastava, caminhando pelo arvoredo, "isso não se pode negar; mas terá sentimentos? Temo que não. Na verdade, ele é como a maioria dos artistas; só estilo, nenhuma sinceridade. Não seria capaz de sacrificar-se pelos outros. Pensa só na música, e todos sabem que as artes são egoístas. Mesmo assim, devo admitir que há algumas notas belas em sua voz. Pena que nada signifiquem, nem façam nada de bom na prática." E foi para seu quarto, deitou-se em sua pequena enxerga e começou a pensar em seu amor; depois de algum tempo, adormeceu.

E quando a Lua brilhava nos céus, o Rouxinol voou até a Roseira e cravou o peito no espinho. A noite inteira ele cantou apertando o peito contra o espinho, e a Lua, fria e cristalina, inclinou-se para ouvir. A noite inteira ele cantou, e o espinho foi se cravando cada vez mais fundo em seu peito, e o sangue foi-lhe escapando das veias.

Cantou primeiro o nascimento do amor no coração de um rapaz e de uma moça. E no ramo mais alto da Roseira abriu-se uma rosa maravilhosa, pétala após pétala, à medida que canção seguia canção. Pálida era, de início, como a névoa que paira sobre o rio - pálida como os pés da manhã, e prateada como as asas da alvorada. Como a sombra de uma rosa num espelho de prata, como a sombra de uma rosa numa poça d' água, tal era a rosa que floresceu no ramo mais alto da Roseira.

Porém a Roseira disse ao Rouxinol que se apertasse com mais força contra o espinho. Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e seu canto soou mais alto, pois ele cantava o nascimento da paixão na alma de um homem e uma mulher.
E um toque róseo delicado surgiu nas folhas da rosa, tal como o rubor nas faces do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Porém o espinho ainda não havia penetrado até seu coração, e assim o coração da rosa permanecia branco, pois só o coração do sangue de um Rouxinol pode tingir de vermelho o coração de uma rosa.

E a Roseira insistia para que o Rouxinol se apertasse com mais força contra o espinho. "Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e uma feroz pontada de dor atravessou-lhe o corpo. Terrível, terrível era a dor, e mais e mais tremendo era seu canto, pois ele cantava o Amor que é levado à perfeição pela Morte, o Amor que não morre no túmulo.
E a rosa maravilhosa ficou rubra, como a rosa do céu ao alvorecer. Rubra era sua grinalda de pétalas, e rubro como um rubi era seu coração.

Porém a voz do Rouxinol ficava cada vez mais fraca, e suas pequenas asas começaram a se bater, e seus olhos se embaçaram. Mais e mais fraca era sua canção, e ele sentiu algo a lhe sufocar a garganta.

Então desprendeu-se dele uma derradeira explosão de música. A Lua alva a ouviu, e esqueceu-se do amanhecer, e permaneceu no céu. A rosa rubra a ouviu, e estremeceu de êxtase, e abriu suas pétalas para o ar frio da manhã. O Eco vou-a para sua caverna púrpura nas montanhas, e despertou de seus sonhos os pastores adormecidos. A música flutuou por entre os juncos do rio, e eles levaram sua mensagem até o mar.
"Olha, olha!", exclamou a Roseira, "a rosa está pronta." Porém o Rouxinol não deu resposta, pois jazia morto na grama alta, com o espinho cravado no coração.

E ao meio-dia o Estudante abriu a janela e olhou para fora.

"Ora, mas que sorte extraordinária!", exclamou. "Eis aqui uma rosa vermelha! Nunca vi uma rosa semelhante em toda minha vida. É tão bela que deve ter um nome comprido em latim." E, abaixando-se, colheu-a.
Em seguida, pôs o chapéu e correu até a casa do Professor com a rosa na mão.

A filha do Professor estava sentada à porta, enrolando seda azul num carretel, e seu cãozinho estava deitado a seus pés.

"Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha", disse o Estudante. "Eis aqui a rosa mais vermelha de todo o mundo. Tu a usarás junto ao teu coração, e quando dançarmos ela te dirá quanto te amo."
Porém a moça franziu a testa.

"Creio que não vai combinar com meu vestido", respondeu ela; "e, além disso, o sobrinho do Tesoureiro enviou-me jóias de verdade, e todo mundo sabe que as jóias custam muito mais do que as flores."

"Ora, mas és mesmo uma ingrata", disse o Estudante, zangado, e jogou a rosa na rua; a flor caiu na sarjeta, e uma carroça passou por cima dela.

"Ingrata!", exclamou a moça. "Tu é que és muito mal-educado; e quem és tu? Apenas um Estudante. Ora, creio que não tens sequer fivelas de prata em teus sapatos, como tem o sobrinho do Tesoureiro." E, levantando-se, entrou em casa.

"Que coisa mais tola é o Amor!", disse o Estudante enquanto se afastava. "É bem menos útil que a Lógica, pois nada prova, e fica o tempo todo a nos dizer coisas que não vão acontecer, e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdade. No final das contas, é algo muito pouco prático, e como em nossos tempos ser prático é tudo, vou retomar a Filosofia e estudar Metafísica."

Assim, voltou para seu quarto, pegou um livro grande e poeirento, e começou a ler.



Oscar Wilde

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Educação para que?


















Existe imagem mais linda do que essa?

Educação para que?

Já estou cansada desse faz de conta que o MEC aponta como crescimento da média escolar no Brasil. Já estou cansada desses professores chegarem à sala de aula em um curso crítico e falar que um professor na sala de aula deve ser um verdadeiro filósofo, questionar a realidade,transformar a sua realidade, desenvolver práticas pedagógicas para que você seja um real transformador. Muito linda as teorias, nos dá até ânimo para ser futuro professor. Agora vamos enxergar a realidade? Como pode um professor te mostrar lindas teorias para ser um professor transformador em sala de aula e logo depois pede para você fazer um trabalhinho escrito sobre um texto? Passa provas pesquisadas? Não te dá o direito de falar em sala de aula? Impõe seus pensamentos? Logo estão formando o que?

Todos sabem que a LDB é para formar mão de obra, reproduzir conhecimento, formar futuros trabalhadores para desenvolver o capitalismo e acentuar mais ainda os antagonismos de classe. Pra que produzir conhecimento? Transformar trabalhadores em críticos para futuramente irem contra o sistema vigente e reivindicar seus direitos? Não interessa para o país um professor critico e transformador. O verdadeiro professor para o Estado é aquele que aprova todos os seus alunos sem saber se ele aprendeu ou não que apenas cumpra seu dever, passar para frente e no futuro ele que se vire. Vai ser mão de obra barata, mais lucro para empresas.

O governo está investindo muito na educação:

Quanto você acha que custa um notebook? É caro minha gente, melhor dá notebook para esses meninos do que atualizar a biblioteca da escola. Viu!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lia um jeito de ser

























Há o que dizer dessa minha amiga!!!!!
Você é uma contradição em pessoa, a rosa que não se encontra em nenhum jardim, uma poesia a ser escrita. Você e a composição de Amor e sofrimento, felicidade e surrealismo.

Você e minha rosa que atravessarei mundos para te fazer feliz, Deus te pós em meu caminho para me ensinar o que é amor e amolecer esse coração duro. Tu és meu exemplo de amor e de amar, você é a única essência pura que conheço que tem um amor verdadeiro pelas pessoas.

Singela homenagem dessa sua amiga neste dia especial para mim, seu aniversário!

Andaremos de bengala e óculos de fundo de garrafa, eu você e Aline para comprarmos sapatos e tomarmos chá verde.



Feliz Aniversário



I LOVE YOU

Presentinhos

 Ganhei esse lindo selinho da Pathy e dedicou - me a música Menos de um Segundo de Rosas de Saron.
http://pathyoliver.blogspot.com/


Obrigada Pathy adorei o presentinho

Regras:
Deixar sua música favorita e dedicar a seus blogs favorito:

Música
Pra ser Sincero


Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero
Não espero que você
Minta!
Não se sinta capaz
De enganar
Quem não engana
A si mesmo...
Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos...
Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero
Não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma
Ao diabo...
Um dia desse
Num desses
Encontros casuais
Talvez a gente
Se encontre
Talvez a gente
Encontre explicação...
Um dia desses
Num desses
Encontros casuais
Talvez eu diga:
-Minha amiga
Pra ser sincero
Prazer em vê-la!
Até mais!...
Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Nunca deixam suspeitos...


Engenheiros do Havaii










Lugares tão bonitos e habitados por almas
 incríveis e belas dotadas de dons sublimes.
Recomendo passeios por lá!

 http://diariosdeumadesconhecida.blogspot.com/

 http://alinepaiva-ac.blogspot.com/

http://andreiaborba.blogspot.com/

http://vidaartevida.blogspot.com/

http://camilinhafeitosa.blogspot.com/

http://filosodroga.blogspot.com/

Blogs maravilhosos
recomendado

domingo, 1 de maio de 2011

O POETA PEDE AO SEU AMOR QUE LHE ESCREVA





















De volta ao meu cantinho que deixa - me gritar aquilo que fica bem escondidinho na alma. 

Passei um tempo sem postar nada, devido a falta de tempo e também a falta de ânimo, mas estou de volta e agradeço todos aqueles que me seguem.

Tinha preparado um texto sobre a crise do sujeito na sociedade moderna, mas simplesmente perdi o texto, depois tentarei refazer e públicá - lo.

Irei citar um poema lindo do maravilhoso Federico Garcia Lorca

O POETA PEDE AO SEU AMOR
QUE LHE ESCREVA

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

sábado, 16 de abril de 2011

EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA

























Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!

(Crônica de Luis Fernando Veríssimo)

Ele é simplesmente maravilhoso......

sábado, 9 de abril de 2011

EU TE AMO

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Chico Buarque
 
 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Para Sempre Cazuza


















04 de Abril de 2011


Hoje cazuza completaria 53 anos de vida.

ele está mais vivo do nunca em nosso coração e memória.

O Brasil infelizmente está no ápice da mediocridade do Rock Brasileiro. Graças a Deus que ainda existe heróis vivos e a memória dos que já foram

Parabéns Cazuza



Depoimentos de Cazuza em 1988

"Os problemas do Brasil parecem ser os mesmos desde o descobrimento. A renda concentrada, a maioria da população sem acesso a nada. A classe média paga o ônus de morar num país miserável. Coisas que, parece, vão continuar sempre. Nós teríamos saída, pois nossa estrutura industrial até permitiria isso. O problema do Brasil é a classe dominante, mais nada. Os políticos são desonestos. A mentalidade do brasileiro é muito individualista: adora levar vantagem em tudo".

"Educação é a única coisa que poderia mudar este quadro. Brasileiro é grosso e mal-educado, porque não pensa na comunidade, joga lixo na rua, cospe, não está nem aí. Este espírito comunitário viria com a cultura. Acho que o socialismo talvez possa trazer este acesso à cultura de massa. Fazer como o Mao Tsé-tung fez com a China. Educar todo mundo à força. Temos que estudar ler, ter acessos a livros".

"O inferno é aqui. A cabeça da gente é um inferno. E essa de "o inferno são os outros" não sei não... Pra mim, que dependo muito de amigos, de carinho dos outros, não vejo a vida contra alguém. Posso até ser meio ingênuo. Essa visão de inferno e céu: eu não vejo o inferno como uma coisa ruim e o céu como bom. O céu pode ser uma chatice e o inferno uma coisa divertida. Aliás, as imagens que temos do inferno são sempre aquelas onde localizamos o demônio, as pessoas transando, se comendo. O inferno é um baile de carnaval no Monte Líbano".

Interview n. 12, 1988

"Estou careta, não bebo, não tomo drogas, não estou mais na noite; estou tratando de mim de um jeito que nenhuma babá trataria. Nunca tinha ido a um médico até os 30 anos... eu não sabia que tinha um corpo e que ele podia falhar um dia".
"Troquei de analista e tenho mais fé. Chamei por Deus, sim, a gente sempre chama o nome de Deus em vão, não é? Acho que Deus é parte do medo que a gente tem".

Janeiro/1988, republicado em Amiga, julho/1990

"Ideologia fala da minha geração sem ideologia, compactada entre os anos 60 e os dias de hoje. Eu fui criado em plena ditadura, quando não se podia dizer isso ou aquilo, em que tudo era proibido. Uma geração muito desunida. Nos anos 60, as pessoas se uniam pela ideologia. 'Eu sou da esquerda, você é de esquerda? Então a gente é amigo'. A minha geração se uniu pela droga: ele é careta e ele é doidão. Droga não é ideologia, é uma opção pessoal. A garotada teve a sorte de pegar a coisa pronta e aí pode decidir o que fazer pelo país, embora do jeito que o Brasil está, haja muita desesperança".

O Globo, Deborah Dumar, janeiro/1988

"Acho que o poeta é um insatisfeito. Então a noite, a vida noturna, a vida boemia, da farra, são geralmente frequentadas por pessoas insatisfeitas... Acho que é a própria insatisfação do artista que o leva a ter uma vida desregrada... Você diz que eu sou poeta, mas eu me considero um letrista, gosto de falar que sou letrista, porque eu acho que tem uma distância entre poesia e música popular...".

"Não sei se algum dia vou ser poeta, realmente. Quando me vem uma idéia na cabeça, ela já vem musical. É um processo criativo meu; escrevo cantarorando uma coisa na minha cabeça... Eu vejo a poesia como um trabalho com a palavra mesmo. Todas as possibilidades que você pode tirar da palavra, da gramática. Acho que faço uma coisa mais ligada à música do que à palavra e por isso não me considero poeta".

"Eu tenho um lado que leva as coisas muito a sério. Eu pareço ser uma pessoa que não leva nada a sério! E o que me salva na minha vida é que eu não consigo levar esse meu lado sério tão a sério".

"O rock já não é uma coisa da qual se possa debochar... A gente está com uma força de palavras, as pessoas estão ouvindo o que o Renato Russo fala, o que o Lobão fala... Por mais que cada um tenha caminhos loucos, eles estão falando. Somos uma geração muito mal informada - não tivemos participação política alguma; estamos chegando aos tropeções. A gente nunca teve ideologia..."

Faz Parte do Meu Show

Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpoador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Meu amor, meu amor, meu amor...


Linda Música de Cazuza, ele é único e indescritível

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cazuza me entenderia
























“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses momentos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar-se nessa linguagem emprestada.”
(Marx)

Para a Burguesia Ofereço Cazuza

Blues da Piedade
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Burguesia

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras
Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal
A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
E dormem tranqüilos
Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua
Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal
No sinal, no sinal
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia


(Cazuza)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Poema aos Homens do Nosso Tempo

















Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva

Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa rapacidade
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

Ao teu encontro, Homem do meu tempo,
E à espera de que tu prevaleças
À rosácea de fogo, ao ódio, às guerras,
Te cantarei infinitamente à espera de que um dia te conheças
E convides o poeta e a todos esses amantes da palavra, e os outros,
Alquimistas, a se sentarem contigo à tua mesa.
As coisas serão simples e redondas, justas. Te cantarei
Minha própria rudeza e o difícil de antes,
Aparências, o amor dilacerado dos homens
Meu próprio amor que é o teu
O mistério dos rios, da terra, da semente.
Te cantarei Aquele que me fez poeta e que me prometeu
Compaixão e ternura e paz na Terra
Se ainda encontrasse em ti, o que te deu.


(Poema da nossa linda Hilda Hilst)

terça-feira, 29 de março de 2011

Pra que somar se a gente pode dividir






















Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou pra quem chorou pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não




(Poema do nosso Maravilhoso Vinicius de Morais)

domingo, 27 de março de 2011

Estresse total



















Esta é a minha situação ao chegar em casa, totalmente cansada. Acompanhar a correria nesse mundo moderno não é fácil. Além do estresse do trabalho, você tem que aquentar os “malas” da faculdade e a falta de responsabilidade do setor público, é para destruir qualquer ser humano.

 
O marketing do governo “Acre o melhor lugar para se viver” é a pior picaretagem que pode existir, meus caros colegas é mentira, em termos sociais e políticos é o pior lugar para se viver, para falar a verdade é uma “ditadura de alienados”.

Eu como cidadã e contribuinte com todos os impostos, não tenho iluminação no poste da minha rua sujeita a assaltos e outras coisas piores. Tenho opção para ir ao trabalho pegar 2 ônibus que passam no mesmo horário e a cada meia hora, final de semana tenho que esperar em 1 e 1 hora se quiser ir a algum lugar.

Ao sair do trabalho às 18h tenho que correr para chegar a parada de ônibus para conseguir pegar o ônibus as 18h30min para ir a faculdade e chegar no horário da aula as 19h. Caso perca o ônibus passará outro apenas às 19h, detalhe apenas 1 ônibus passa para atender duas faculdades e mais uns 5 bairros. Imagina o estado que você chega à sala de aula? Totalmente descabelada, suada e o estresse não tem mais limite e você ainda tem que agüentar os malas da sala de aula e o professor mala também.



Estou ausente esses dias, pela falta de tempo, mas logo voltarei.

Abraços carinhosos.

Nardia Taina






sábado, 19 de março de 2011

Estou tão Young

























 Á Pátria Amada


Salve, salve. Como está? Melhorou?As notícias que recebo de seus filhos não são boas, mas sei que você é forte e há de vencer mais essa. Tantas crises e traições seguidas devem estar abalando você, mas saiba que é amada, idolatrada e jamais será abandonada. Pátria minha, posso ser sincera com você? Você é rica, gentil e generosa, mas dá muita bandeira, por isso abusam da sua boa vontade. Aproveitadores prometem servi-la e roubam de seus cofres. Covardes juram protegê-la e atiram em sua gente pelas costas. Falam besteiras em seu nome, debocham de seus defeitos, sonegam o que lhe devem. Por outro lado, você nunca esteve tão livre. Tão respeitada pelas colegas. Sua beleza e sua simpatia sempre foram reconhecidas, mas agora elogiam também sua inteligência e seu bom gosto. Copiam o que você veste, querem saber a fonte da sua energia, até depilam-se à sua maneira. Portanto, querida, talvez seu problema seja mesmo de auto-estima. Você é virginiana, de 7 de setembro, certo? Então está sempre desconfiada e insegura. Não consegue tomar decisões e, muitas vezes, foge às responsabilidades. Assuma Pátria, que você é legal, mas vacila. Aprenda a punir quem abusa de seus favores e a tratar bem quem procura seus serviços. Afaste-se dos puxa-sacos e abrace seus desvalidos. Seus verdadeiros amigos não estão nos banquetes em sua honra, mas nos bobocas que calçam chuteira com você. A hipocrisia, maldita praga que seu ardor atrai, é a raiz dos seus problemas. Mas, calma, tudo tem jeito, você já resistiu bravamente a dias piores. Quando nem se sabia quanto roubavam de você. Quando sujavam seu nome em porões de tortura. Quando seu dinheiro valia tão pouco que era motivo de piada. E hoje, Pátria, você não carece de grandes atos de heroísmo, mas de pequenos gestos de respeito. Não precisa de novos salvadores, mas dos velhos sobreviventes. Inspire-nos a ver que não somos coitadinhos, somos até sortudos. Vemos tornados, terremotos e bombas terroristas pela televisão. Moramos de frente para a praia, com o mais verde quintal do mundo. Se temos a corrupção como mal encruado, que seja essa a nossa luta. A grande batalha que venceremos em seu nome. Freud disse: "Primeiro, olhe bem as profundezas da sua alma e aprenda a saber quem você é; depois, entenda o que há de errado com você". Cazuza fez uma música dizendo a mesma coisa, lembra?Por mim, você abandonava de vez esse positivismo cafona, que um dia lhe impuseram como lema. Não é pela ordem que seus filhos se destacam pelo mundo, é pela bagunça e festa. O progresso? Vem naturalmente quando se vive em paz, num ambiente fértil. Se é necessário um mote para completar a lacuna, que o escolham de onde sua alma se manifesta: nos pára-choques de caminhão.Já imaginou? Você de verde e amarelo e, na faixa, em sua testa estrelada, escrito assim: "Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho". Ou simplesmente: "Existo porque insisto". É atrás da pompa dos palanques que se escondem seus inimigos.

Com amor, Fernanda Young



Ela é simplesmente Mara........

quinta-feira, 17 de março de 2011

Para a Tristeza



















Para a Tristeza.
Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta. Vai ser difícil para mim, pois me acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos juntas.
Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Vc é péssima conselheira.
Chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar um tempo comigo.
Desde criança, abro mão de muita coisa por vc. Festas a que não fui porque vc não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque vc exigiu de mim total atenção.
Quero de volta meus discos de dance music, que vc tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que vc se instalou aqui.
Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim.
Como disse Lulu hj de manhã no carro a caminho do trabalho: Não te quero mal, apenas não te quero mais.


Fernanda Young

terça-feira, 15 de março de 2011

Razão


























Amor às vezes é sinônimo de tristeza, você sente aquele sentimento tão nobre e dolorido ao mesmo tempo.
Quando ele te arremata parece uma doença que evolui aos poucos, quando chega ao ápice do delírio poucos buscam a cura. A razão.

 As gotas da razão aos poucos vai abrindo os teus olhos, a lembrança tenta fechá-los novamente e a saudade quer fazer parar teu coração, mas a razão não deixa, ela te ergue novamente. Depois vem o remédio mais forte, o amor, o mesmo remédio que te mata também é tua cura, apenas o amor pode te curar até a próxima recaída, ele só não fecha as cicatrizes. O amor a vida, o amor das pessoas que te amam de verdade, esse é o remédio da tua cura para te fazer sonhar novamente, mas uma coisa é certeza, as lembras sempre vai te assombrar com as cicatrizes para sempre.



Nardia Taina

domingo, 13 de março de 2011

Amor que se vai

























O Amor que se vai


Por Flávio Gikofate (Psicanalista)

No programa café filosófico o psicanalista desfaz a confusão que normalmente fazemos entre sexo e amor e nos ajuda a entender porque na maioria das fezes não somos felizes para sempre em nosso relacionamento.

Será é possível explicar o que é o amor?

Mais do que explicar esse sentimento será que podemos determinar quando ele nasce e morre?

 Começaremos separando bem claramente o amor do sexo, porque às vezes o amor se vai e o sexo fica ou o inverso o sexo se vai e o amor fica, então é preciso que fique bem claro esses dois aspectos para que não se pense porque o sexo as vezes está criando problemas ou tá complicado, isso já significa forçosamente que o amor não vai indo bem também, ou seja, as pessoas tem uma idéia equivocada que sexo e amor tem sempre que operar em simultaneidade e na realidade muitas vezes se opera em oposição.

O Amor que Nasce

O que é o amor?

O amor eu defino como sendo como o sentimento que a gente tem por aquela pessoa, é muita especifica e muito especial cuja presença provoca em nós a sensação de paz, aconchego e harmonia. Então amor parece que tem haver basicamente com a primeira experiência existencial de todos nós, ou seja, com a experiência uterina. O amor corresponde a um remédio para a dor do desamparo que nasce no momento em que nos nascemos, ou seja, vivemos no útero nos primeiros momentos de nossa existência, de lá saímos depois de meses de aconchego. Aconchego que é o último registro cerebral porque a criança e a mãe com aquele feto dentro do útero vivem uma situação paradisíaca, digamos assim usando a metáfora bíblica, existi depois disso a expulsão do paraíso, que corresponderia então o nosso big bang ou o momento do nascimento. A partir dessa expulsão do paraíso começam a surgir as dores, desconforto, estado subjetivo correspondente ao desamparo, a sensação de desprotecão, insegurança e medo que é exatamente a manifestação visível no rosto de qualquer criança que nasce.

A condição uterina é a condição maravilhosa, é o paraíso e o nascimento é a expulsão do paraíso. É curiosa, mais essa metáfora biblioteca provavelmente reflete muito claramente no que acontece mesmo com cada um de nós. É sempre fascinante para mim repetir isso e perceber de alguma maneira que quem inspirado por divindades ou tenha inscrito isso, descreveu exatamente como começa a vida, ou seja no paraíso e logo depois a expulsão do paraíso e o fim daquela harmonia e o inicio das dores, desconfortos, desamparo e a sensação de que: para que a gente tenha com aquele aconchego uterino precisamos nos acoplar à alguma outra pessoa.

Será mesmo que o amor funciona como remédio para nossa dor de existir? Na sua fase romântica Machado de Assis achava que sim.
“Musa dos olhos verdes, musa alada,Ó divina esperança, Consolo do ancião no extremo alento,E sonho da criança;
Tu que junto do berço o infante cinges C'os fúlgidos cabelos; Tu que transformas em dourados sonhos Sombrios pesadelos;
Tu que fazes pulsar o seio às virgens; Tu que às mães carinhosas enches o brando, tépido regaço Com delicadas rosas;
Casta filha do céu, virgem formosa do eterno devaneio, sê minha amante, os beijos meus recebe, acolhe-me em teu seio!
Já cansada de encher lânguidas flores com as lágrimas frias, a noite vê surgir do oriente a aurora dourando as serranias.
Asas batendo à luz que as trevas rompe, piam noturnas aves, e a floresta interrompe alegremente os seus silêncios graves.
Dentro de mim, a noite escura e fria melancólica chora; rompe estas sombras que o meu ser povoam;

Musa, sê tu a aurora!”

(Musa dos Olhos verdes de Machado de Assis)

Visto desse ângulo o amor é sempre um fenômeno interpessoal, ou seja, depende da existência de uma outra pessoa, uma outra pessoa muito especifica e especial , não é uma pessoa qualquer é aquela pessoa.

O amor é parte de um prazer que o filosofo Arthur Shopenhauer ( 1788- 1860) chamava de prazer negativo, ou seja, é um remédio para a sensação desagradável de desamparado, quer dizer, é a sensação agradável ou o prazer que deriva do fim da dor do desamparo. O aconchego é o remédio para o desamparo.

O amor tem na vida adulta, adulta sempre entre aspas, porque o amor adulto ele tem características muito infantis. No amor adulto ele tem a substituição, sai à mãe e entra outros objetos, cada vez um, que dizer, são objetos e amor muito indefinidos, porém o mais importante é entender que este objeto adulto ele representa o mesmo fenômeno o mesmo papel, aconchego e remédio para o desamparo para sensação de incompletude, por tanto, continua sendo prazer negativo, continua sendo absolutamente necessário aonde existe uma dependência muitas vezes de possessividade e ciúmes. Diga-se de passagem, o ciúme é uns dos fenômenos que pode desgastar seriamente a relação afetiva, mas essas características mais imaturas do amor infantil costuma-se dar presentes integralmente no chamado amor adulto ou amor romântico adulto.Os casais que se amam costumam se chamar por palavras que são todas típicas do jeito que a gente trata os bebezinhos , então é tudo fofinho, benzinho , todo mundo faz biquinho para falar um com o outro, o vocabulário é extremamente limitado e parecido com aquilo que qualquer bebezinho falaria se soubesse falar para a mãe.

Quando nasce o sexo?

O sexo se manifesta primeiramente por volta dos 9 a 10 meses de idade. Exatamente quando a criança começa a descobrir que ela e a mãe não são a mesma criatura, ela começa a pesquisar e conhecer o próprio corpo começa a especular o mundo todo a sua volta e dentre essas especulações inclui o próprio corpo. Nessa pesquisa a criança acaba descobrindo partes do corpo cujo toque provoca nela uma sensação de inquietação e muito agradável, ou seja, o sexo é excitação, prazer positivo e pessoal, o amor é paz, prazer negativo e interpessoal, ou seja, as pessoas até hoje usa a expressão fazer amor. Amor não se faz, amor se sente e sexo se pratica.

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

(Arte de Amar de Manuel Bandeira)

O fenômeno amoroso às vezes ele ate atrapalha o sexo. É curioso falar isso, mas nas historias de paixão quando surge aquele encantamento muito forte entre duas pessoas muito freqüentemente os homens têm muita dificuldade sexual e as mulheres ficam meias perplexas com isso, porque talvez não seja o fenômeno que acontece com elas, ma os homens se atrapalham muito quando tentam juntar o sexo com amor. Então não é raro, por exemplo, casais que se dão mal ou não estão tão bem sentimentalmente, mas estão com a vida sexual boa ou vice versa.

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.”

(quadrilha de Carlos Drummond de Andrade)

nessa quadrilha de casais desencontrados de Drummond quais seriam os motivos dos amores e dos não amores? São as semelhanças ou as diferenças que nos atraem?
Na vida adulta surge o desejo visual masculino a partir da puberdade, ou seja, sobra a idéia que o sexo não tem uma correlação tão direta com o amor e às vezes entra ate em oposição, Por exemplo, quando um casal tem uma vida sexual legal à mulher tem o tipo mais generoso e o homem mais egoísta, sendo que mais de 90% se dão de pessoas bastantes diferentes, o homem egoísta são os homens tipo garanhão não muito confiáveis porém bem atraentes para as mulheres boas, a relação desse tipo de homem com as mulheres generosas geralmente não tem nenhum tipo de problemas sexual, já a relação de mulheres egoístas com esse tipo de homem tem mais problemas, pois a mulher egoísta não se doam facilmente, somente quando elas querem , com isso os homens egoístas se sente humilhados, e acabam melhorando cada vez mais suas atitudes para que a mulher seja mais generosa, porém ela acaba dificultando mais ainda. Esse tipo de mecanismo mostra que, aqueles que amam mais intensamente, são os generosos tanto o homem quanto a mulher, são mais dedicados sexualmente quando curiosamente o parceiro é egoísta. Porque, se houver uma aliança de uma mulher generosa e um homem generoso a coisa se complica, curiosamente e até chocante a maioria doa casais que se dão bem tem uma vida sexualmente pobre.

Escolher ou ser escolhido

A escolha do objeto adulto que vai substituir a mãe, se da segundo o critério de admiração, o amor deriva da admiração. Essa era a maneira como já descrevia o filosofo Platão (428/427 – 348/347) no banquete no século V antes de cristo, ele tinha real e toda razão.

O amor nasce da admiração, mas será que admiramos aquilo em especial o eu ou o outro que tem aquilo que não encontramos em nós?

No amor a escolha do objeto independe da admiração, o problema e que esse critério de admiração pode se modificar com o passar do tempo. Isso é umas das variáveis que pode levar o fenômeno amoroso ao colapso da relação, por exemplo, eu sou o menino tímido, desajeitado, com vergonha e com dificuldade no trato social, ele admira o oposto dele, quanto mais baixa a auto-estima maior a tendência em admirar o oposto. com o passar do tempo, ao conhecer os defeitos e as características próprias da pessoa, às vezes falta de sinceridade e agressividade, ou seja, ao ver os pontos fracos, pode vir a deixar de admirar esse personagem. Com o passar dos anos passa a admirar o seu próprio jeito de ser. Nesse momento se perde a admiração pelo oposto e o amor cai junto. Esse processo é curioso, porque o sentimento amoroso vai despencar pela mesma razão que um dia ele subiu, ou seja, eu vou me desencantar pelas mesmas razoes que um dia eu me encantei, a separação vai acontecer pelos mesmos motivos que um dia os levaram a casar.

Outras vezes a perda de admiração não se da apenas por esse motivo, mas com o passar dos anos um dos dois, Por exemplo, evoluem intelectualmente, socialmente ou mesmo profissional e financeiramente e um dos dois não acompanha e fica aquém do outro indivíduo, isso também influencia para o fim da admiração. Outras vezes acontece pelo fato de ao longo dos anos pode acontecer também das pessoas ter projetos de vida discrepante, tanto no profissional, como religiosos também, as vezes a pessoa muda de religião e passa a ter um certo radicalismo naquela religiosidade e causa uma discrepância muito grande, isso porque um dos dois mudou de posição a um assunto, que é absolutamente relevante para o cotidiano das pessoas porque muda o estilo de vida. Muitos outros problemas também podem desgastar a relação, como a educação dos filhos, brigas por dinheiro. O amor não resiste a qualquer tipo de contratempo, o amor tem que ser tratado de uma maneira muito delicado, porque acabou a admiração o problema sentimental se vai.

No momento da separação, a dor da ruptura não é a dor da solidão, a dor da solidão é o que vem depois, depois que o individuo se acomodou e se acostumou com o estar sozinho. Na nossa sociedade os homens e as mulheres não são treinados para a solidão, na Europa é diferente, geralmente os filhos saem cedo de casa, vão viver em republica, na faculdade, já aqui não, temos a mania de ficar aninhando nossos filhos até que ele se case , ou seja devemos aprender a lidar com a solidão e também com as experiências dos relacionamentos.


sábado, 12 de março de 2011

Filme da semana


Filme: Um Beijo Roubado

O filme é simplesmente maravilhoso, selecionado para abrir o festival de cannes em 2007 do diretor Wong Kar Wai, do elogiadíssimo “Amor à flor da pele”.O elenco tem a participação da cantora Norah Jones como protagonista, pela riqueza do elenco – que traz Jude Law, Natalie Portman, Rachel Weisz e David Strathairn e Com fantástica trilha sonora de Cat Power (que faz uma participação no filme), Norah Jones, Ry Cooder, Otis Redding, Cassandra Wilson, Gustavo Santaolla, entre outros.Aplaudido de pé pelos críticos e pelo público que se emociona e torce pela vitória do amor, dirigido com sensibilidade e muita criatividade.

Sinopse:

A vida de Jeremy (Jude Law, de O Talentoso Ripley), dono de um charmoso café, muda radicalmente quando ele recebe a visita de Elizabeth (a cantora Norah Jones), uma jovem de coração partido que trocada pelo namorado, com quem conversa noites adentro. Jeremy acaba se apaixonado por Elizabeth que acaba indo em bora Em busca de um novo rumo. Elizabeth parte em viagem através dos EUA, onde faz amizades com um policial (David Strathairn, indicado ao Oscar de Melhor Ator por Boa Noite Boa Sorte) que não consegue esquecer a ex-mulher (Rachel Weisz, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Jardineiro Fiel) e uma sexy jogadora de cartas (Natalie Portman, a rainha Amidala de Star Wars), Jeremy, muito apaixonado, acompanha a jornada desesperadamente através de telefonemas e cartas e não consegue encontrá-la, o que lhe resta de lembrança é apenas um beijo roubado enquanto Elizabeth dormia no balcão de seu café.

Comentário:

Ao contrário do que muitos fazem Elizabeth faz tudo ao contrário. Ela não fica chorando e levando os problemas para bebida. Ao invés disso, ela viaja e experimenta recomeçar sempre do zero. No local em que vai morar, trabalha muito para não se lembrar do ex e com isso acaba aprendendo com os exemplos ao seu redor e percebe que tem que encarar seus problemas. Que cada ser humano passa por problemas amorosos e cada um enfrenta de seu jeito. a protagonista vive durante sua viagem à descoberta da transitoriedade de tudo, inclusive necessidades e sofrimentos. Assim é que Elizabeth pode voltar para enfrentar o que deixou para trás.