domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Utopia do Amor Perfeito





































A Utopia do amor perfeito


Por Caterina Koldai (Psicanalista e Socióloga)

O que esperamos do amor?

Cada época é secreta, de um lado existe sua própria utopia e do outro lado um mudo muito peculiar de falar de amor, então a gente tem a ilusão que o amor é eterno que o amor sempre foi a mesma coisa e gostaríamos que ele fosse eterno, mas podemos ver que isso é um fantasma da perfeição, o amor não é eterno.

Nós devemos prestar bastante atenção nas mudanças dos discursos sobre o amor, quais os momentos da historia que muda o discurso para o outro, se não tivermos em mente essa mudança fica difícil imaginar o que era o amor na Grécia antiga de um homem pelo homem, mas a gente sempre banaliza isso alegando que o homossexualismo era permitido na Grécia, mas era mais do que isso, existia todo um discurso sobre o amor de um homem pelo outro que fica difícil de entender para nós.

“A relação amorosa entre homens na Grécia antiga respeitava um conjunto de regras que refletia os valores específicos daquela sociedade. Relacionamento entre dois homens da mesma idade, por exemplo, era mal visto, um homem mais velho mais culto e de maior status social deveria ter como amante outro homem que lhe fosse inferior nesses quesitos, a relação sexual entre gregos era guiada pelo papel que os parceiros tinham na polis”.

Do mesmo jeito fica difícil para nós se não prestarmos atenção nessas mudanças históricas e perceber um pouco o que era o amor Cortês da idade media e do renascimento. O amor cortês ele tinha por razão de ser que sua bela fosse inatingível, que ela estivesse distante e que esta distância fizesse o poeta escrever, sublimar, idealizar e produzir, se ela não estivesse longe nós não teríamos um Dante Alighieri (1265 – 1321), um Francesco Petrarca (1304 – 1374) e obtido obras maravilhosas da poesia amorosa.

Vida nova, de Dante Alighieri, c. 1295


“Saia a sua procura e muitas vezes a via, sua nobre figura e sua louvável conduta me faziam levar as palavras de Homero, não parecia filha de gente mortal, mas de um deus”.

E quanto mais a bela fica silenciosa e não respondia no amor cortês, melhor o amor se portava. O silencio da amada era necessário, porque no fundo a gente sabe que toda demanda é uma demanda de amor que se dirige ao outro que não responde, isso mostra que ao contrario do poderíamos pensar o amor não pede resposta, ou seja, a reciprocidade que a gente tanto procura no amor é uma ilusão, uma utopia de perfeição (você me ama por que eu amo você e assim começa os mal entendidos).


O desejo de perfeição

O que é uma utopia? Uma utopia é um sonho, uma fantasia de uma cidade ideal, de um mundo onde nós não sofrêssemos, onde teríamos tudo que desejávamos, onde o amor e o prazer sejam possíveis. Essas utopias são tão antigas quanto o humano, elas nasceram na Grécia antiga.

Do ponto de vista político, a obra “A República de Platão” foi uma grande utopia, mas do ponto de vista mais estritamente amoroso e sexual, Aristófanes na assembléia de mulheres falava de uma revolução sexual e liberdade sexual. Pensava em uma sociedade de mulheres e dirigida por mulheres, ou seja, nós não inventamos nada, nem o feminismo. Mas cada um de nós, cada geração, tem a ilusão de ser mais esperto do que as anteriores e de estar inventando algo de extremamente novo, é óbvio que alguma coisa de novo a gente Põe um grão de sal a cada geração, mas tem algo que é do ser humano e de suas fantasias que insiste e se repete, e o que tanto insiste e se repete são tentativas de fugir do sofrimento. O que nós todos gostaríamos é de ser feliz, o que aparentemente é uma coisa simples e banal, a gente só quer isso, depois cada um de nós vai dar sua conotação particular essa idéia do que é felicidade.

“A palavra Utopia significa o lugar que não existe, foi inventada por Thomas More, que deu o titulo a um dos seus livros. A Utopia de Thomas é uma ilha governada pela razão sem desigualdades pelos cidadãos e vivem em perfeita harmonia. Essa sociedade ideal poderia existir um dia? Não pela opinião de Freud, para ele o problema do homem não é a desigualdade social e sim as forças de seus instintos que estariam em desarmonia com a idéia de civilização. Para Freud a conciliação plena entre a natureza humana e a cultura nunca será possível, e o mal estar seria o mesmo em qualquer civilização”

O Freud Dizia que todo homem quer felicidade, mas nada foi feito, nem no microcosmo e no macrocosmo foi feito para o homem ser feliz, o homem não é feliz por três razoes principais;

1. A potência da natureza

2. A decrepitude do corpo

3. O convívio em sociedade

Ou seja, o outro não está ai para nos agradar ou nos satisfazer e nem para nos dar aquilo que gostaríamos que ele desse, ainda assim ele faz todos os esforços possíveis para nos agradar, mas a gente sempre fica com aquela sensação que não era bem isso que eu queria. O homem sonha com outro mundo onde a felicidade seja possível. Essas utopias em geral, sempre em um estilo literário, sempre foram colocadas em um passado muito distante ou num futuro muito remoto (era uma vez em uma ilha isolada onde as pessoas viviam felizes, ou um dia no ano de 2000 as pessoas viverão felizes. Estamos em 2011 e esse dia ainda não chegou).








2 comentários:

  1. nunca se falou tanto a palavra AMOR..
    e tao pouco vivenciada pela sua essencia...adorei o post,,,

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