sexta-feira, 17 de junho de 2011

Emily Jane Bronte

No silêncio, um ou outro estalido de lenha queimando na lareira e o ruído incessante das agulhas de tricô. Emily ergue os olhos da costura, passeia-os pelas roupas não remendadas e observa o perfil de Charlotte, pequena e míope. Tricotando. Desvia o olhar para Anne, calada, imersa na tarefa de pregar botões. Não são 4 horas da tarde, mas o céu está escuro. A noite desce cedo em Haworth.Para as três, contudo a escuridão não impede o trabalho.

Quando chegaram a Haworth, em 1820, eram oito ao todo, Emliy tinha apenas dois anos e não compreendia bem por que o pai decidira mudar-se para um lugar tão solitário, batido pelos ventos uivantes. A partir da mudança a família começou a diminuir, primeiro morreu a mãe na terrível agonia do câncer. Emily ainda guarda nos ouvidos os ecos de seus gritos, embora o pai houvesse escrito que a esposa havia morrido calmamente “com uma sagrada e humildade confiança em cristo, seu salvador, e no céu, sua morada eterna”.



Tia Branwell fora morar com eles. Para as crianças, a falta da mãe somou a dor de verem sua liberdade diminuída.

Um dia o pai viajará para Leeds e retornara trazendo um presente para Brawell. As crianças se aglomeraram em volta da caixa de madeira, respiração suspensa , a espera do conteúdo.Brawell então levantou a tampa e foi tirando um por um, doze soldadinhos de chumbo. Charlotte, por ser a mais velha , escolheu o primeiro que lhe pareceu mais bonito e o batizou “Duque de Wellington” Depois Emily tomou o soldadinho que julgou mais parecido com ela mesma - tristonho e sério -,e deu- lhe o nome de “Gravey”. Anne escolheu por último – o “mensageiro”.

Inventaram epopéias, tramaram enredos e , um dia, resolveram escrevê-los. Brawell sugeriu que registrassem as histórias em forma de jornal. Emily e Anne sentia-se rejeitadas porque os irmãos não aceitavam nenhuma de suas sugestões. Alguns anos mais tarde , Charlotte entrou para o colégio em Roe Head. Brawell começou a beber no touro negro e os escritos de “Angria” foram esquecidos. Emily, a essa altura, já se voltara para dentro de si, disfarçando com uma mascará de indiferença as emoções que a sacudiam. Achava impossível estabelecer uma comunicação tão perfeita que as dores de uma pessoa chegasse a se dividir com outra, e assim minorassem:” se podes, por um instante lamentar o que lhe aflige, não podes partilhar da minha infinita magoa”.........




Emily Jane Bronte

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